Publicado por: julius sodenberg | 07/11/2009

O caso de paranóia relacional do menino Zezinho

Recebi mensagem pedindo que analisasse o caso do menino Zezinho, um garoto da Móoca que vinha desenvolvendo, desde a infância, vários comportamentos bastante importantes.  Hoje já adulto, transformado em famoso político e ocupando um alto cargo público, vários dos sintomas que ele apresentava na infância e que eram tomados como esquisitices hoje desenvolveram-se em profundidade e tomaram conta de seu ego expansivo.

Como médico psiquiatra, posso garantir que o menino Zezinho tem um quadro gravíssimo de paranóia relacional. Esse menino tem várias características apresentadas por Freud em sua correspondência com o dr. Fleshsig, sobre o caso do paciente Schreber: altíssima excitação que o leva à permanente atividade e insatisfação, megalomania, transferência das causas de suas falhas e defeitos a outras pessoas, objetos ou situações e desprezo pela opinião alheia.

Muito se discute sobre as origens desses comportamentos. Teriam base neurológica ou dever-se-iam à situações vivenciadas durante a infância? Em sua correspondência com o médico russo Schewitsch, Freud também destaca que não atribui grande importância às bases neurológicas da doença, no que se aproxima das opiniões de Fleissmain, que elenca a paranóia como uma perversão do indivíduo que, a partir de suas pretensões conscientes, apodera-se de seu inconsciente.

O psicanalista Quinet afirma que a paranóia instala na mente do seu portador a “certeza delirante”. Esta transformação do imaginado/sublimado em um real inconteste leva o paranóico a confundir-se com o ideal que representa. Isto explica porque os paranóicos buscam posições de poder, assumindo posturas auto-messiânicas.

Em suma: o caso desse menino já era grave na infância. Temo que agora, depois de adulto, a gravidade de seu quadro traga más consequências não somente para ele, mas para aqueles que estiverem expostos às suas ações.


Respostas

  1. onde vc anda?

  2. onde vc anda? Caramba.

  3. Dr.Sodenberg, Gostaria de Parabenizá-lo, pois o Sr. está cumprindo o proposto, “O mundo explicado pela psicanálise, de uma maneira fácil de entender. “.
    Então gostaria de Propor algo que até agora é misterioso para mim:
    – Levando em consideração que a mídia de massa tradicional brasileira age como Bando, reagindo à excitação instintivamente e agindo em ataque e defesa coordenadamente, comparáveis a um cardume de serrasalminae;
    Analise por favor, como um grupo antes tão diversificado, fomentador de mentes criativas e humanas, regrediu a ordem natural darwiniana para estes cabeças-de-peixe atuais em vias de extinção.

  4. Prezado Jimmy,

    Para avaliar corretamente a sintomatologia e sua relação com o uso de esterco de vaca seco como agente fumígero, seria necessário ter acesso a uma informação-chave para o diagnóstico: qual foi o nível de ingestão da fumaça? O usuário tragou ou apenas encheu a boca de fumaça e a soltou?
    De qualquer maneira, parece-me claro que os sintomas aqui tratados realmente se encaixam na paranóia relacional. Caso haja o uso do esterco bovino seco, ou qualquer outro agente fumígero, seu efeito será irrelevante para o surgimento do comportamento descrito.

  5. ♫ A sintomatologia é muito semelhante àquela dos que fumam cocô de vaca seco, crentes que se trata de maconha. Seria esse o caso do MeChirico Batraquiófago ainda criança? Esclareça-me, por favor, doutor… ☺☺☺

    • Prezado Jimmy,

      Para avaliar corretamente a sintomatologia e sua relação com o uso de esterco de vaca seco como agente fumígero, seria necessário ter acesso a uma informação-chave para o diagnóstico: qual foi o nível de ingestão da fumaça? O usuário tragou ou apenas encheu a boca de fumaça e a soltou?
      De qualquer maneira, parece-me claro que os sintomas aqui tratados realmente se encaixam na paranóia relacional. Caso haja o uso do esterco bovino seco, ou qualquer outro agente fumígero, seu efeito será irrelevante para o surgimento do comportamento aqui descrito.


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